From Fohla de S. Paulo:

Desde que a internet é internet, discussões acaloradas online acabam descambando para extremismos e invariavelmente alguém acaba citando o nazismo ou o ditador Adolf Hitler.

Há 28 anos, o advogado Mike Godwin quis chamar a atenção para a preguiça intelectual de muitos dos argumentos na web comparando o que quer que seja a Hitler.

Ele criou uma frase que ficou depois conhecida como “lei de Godwin”: “Conforme uma discussão online se prolonga, a probabilidade de uma comparação envolvendo nazistas ou Hitler se aproxima de um”.

Enquanto alguns comentaristas diziam ver ecos do nazismo na retórica de Trump ao comparar os imigrantes a “animais” e “cobras” e a colocar crianças em locais que fazem lembrar campos de concentração, defensores do republicano rebatiam com um argumento baseado na “lei de Godwin”, algo na linha de que evocar Hitler é querer ganhar a discussão no tapetão.

Outros trumpistas defenderam a política de separação das famílias dizendo que o governo apenas cumpria o que estava na lei.

A polêmica levou o próprio Godwin a escrever para o jornal Los Angeles Times, criticando Trump e dizendo que a lei criada por ele não proíbe o paralelo com Hitler.

“A ‘lei de Godwin’ nunca teve como objetivo impedir que alguém enfrente a institucionalização da crueldade ou a indiferença de autoridades que dizem estar apenas cumprindo a lei”, escreveu ele, referindo-se às separações de famílias. “Esses comportamentos […] podem não significar um novo Reich, mas me perdoe por me preocupar com a possibilidade de que eles sejam uma forma embrionária de um horror que achávamos que havia ficado para trás.”

Apesar de ter criado a lei de Godwin, você escreveu recentemente que os paralelos entre nazistas ou Hitler e Trump podem ser apropriados. Por quê? 

A lei de Godwin nunca ofereceu nem foi desenhada para oferecer um padrão que proíba comparações ao nazismo ou a Hitler. Algumas pessoas interpretam a lei como se ela proibisse totalmente essas comparações. Outra má interpretação é a de que a conversa acabou quando alguém menciona essa comparação. Mas na verdade eu criei a lei para motivar as pessoas a, se estiverem de fato comparando alguém a Hitler ou a nazistas, terem consciência da gravidade dessas comparações.